Currículo do ensino básico precisa ser mais definido
Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, 17 de março 2014.
Para novo presidente do órgão que aplica o ENEM, a escolha do que é preciso aprender não deve ser feita pelo professor.
FLÁVIA FOREQUEDE BRASÍLIA
O novo presidente do Inep, Chico Soares, afirma que o currículo da educação básica no país precisa ser mais bem definido e argumenta que essa tarefa não pode depender de uma escolha do docente.
O tema é polêmico entre educadores. Se de um lado há um grupo que defende mais clareza no currículo, há outros que reivindicam a autonomia dos professores.
Não posso deixar que a definição do que é necessário para aprender seja feita pelas diferentes pessoas, nos diferentes lugares, disse.
Precisamos muito do professor, mas ele implementa uma decisão de Estado, afirmou à Folha, em sua primeira entrevista após assumir a presidência do instituto, órgão do Ministério da Educação responsável pelo Enem.
Baseado na fala de Chico Soares, o Currículo, em sua opinião profissional, deve atender às peculiaridades ou focar a globalização para a formação do indivíduo?
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Ambos são importantíssimos: a "padronização" curricular é que norteia as ações pedagógicas disciplinares, assim como a unidade educacional do país. Porém, não podemos deixar de lado as peculiaridades nessas ações, pois são elas que aprimoram as aulas, incrementando a aprendizagem e enriquecendo os aspectos culturais de nossa sociedade.
ResponderExcluirJá, a questão de excluir o professor de sua participação nesse processo é inadmissível, pois somos profissionais da educação e devemos ser consultados sobre quaisquer mudanças, direta ou indiretamente, ligadas à educação, ou então o fracasso escolar será evidente.
Portanto, nossa tarefa "autônoma" em todo o processo é a de melhorar e adequar o currículo às necessidades reais e imediatas dos alunos, possibilitando seu desenvolvimento como aluno e cidadão, apto a participar da vida em sociedade, do Oiapoque ao Chuí !
Jacqueline
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ResponderExcluirA padronização curricular contempla um ideal educativo que quase nunca corresponde à realidade. Há uma defasagem notável entre o saber esperado segundo as expectativas de aprendizagem e o conhecimento adquirido correspondente ao fundamento cognitivo ou bagagem cultural que cada aluno traz consigo. Para compensar essa defasagem e suprir as necessidades de aprendizagem de cada aluno é preciso verdadeiramente diagnosticar a aprendizagem através de avaliações formativas e contínuas. Tais avaliações capacitam o educador a verificar a distância entre o que foi realmente entendido e o que foi supostamente compreendido. Essa distância cognitiva já foi definida e investigada por Vigotsky que definiu conceitualmente o conhecimento significativo como correspondente aos conteúdos programáticos incorporados porque utilizados na prática. A avaliação formativa é contínua porque permite a recuperação intensiva do conhecimento não adquirido na medida em que os estudantes de conscientizam não só da importância desses conteúdos como também da necessidade de se auto motivar em busca de uma aprendizagem significativa e investigativa. .
ExcluirAcredito que são as duas coisas, ainda mais levando em consideração a área de nosso país, onde recebemos alunos da diferentes Estados, que chegam de unidades de ensino das mais variadas.
ExcluirPortanto, as peculiaridades devem ser levadas em conta e também conhecer de forma global, identificar onde esta a necessidade que permita fazer uma avaliação desse aluno
Walter
É uma questão bastante complexa: por um lado, temos uma heterogeneidade muito grande marcando a população escolar brasileira, e por outro, o reconhecimento desta clientela , função realizada primordialmente pelo professor.
ResponderExcluirUm currículo básico nacional evita, sim, uma série de problemas (transferência de alunos, adaptação a um novo curso, entre outros); a padronização, de uma certa maneira, uniformiza e facilita o fazer do profissional da educação. Agora, a adequação do currículo às diferentes realidades dos estudantes não pode ignorar a vivência do docente.
Entendo que não seria fácil atender a todos os professores, pois se existem divergências significativas em uma mesma escola, o que dirá em um país tão grande e contrastante como o nosso! É impossível agradar a todos, mas mesmo assim sou a favor da padronização pelo aspecto funcional e prático que ela proporciona, desde que sejam consideradas as características de cada turma e que não cerceiem a liberdade de o educador realizar as adaptações necessárias.
Mônica Monnerat
Na minha opinião deveríamos ter espaço para os 2. A padronização é importante para que todos saibam que caminho seguir, mas ao mesmo tempo ela atrapalha algumas vezes, porque nem todos Professores seguem o currículo rigorosamente e temos também alunos que vem de outros segmentos e o que encontramos? Defasagem.
ResponderExcluirComo disse antes o Estado deveria sim dizer o que ser trabalhado, mas dar espaço a nós para acrescentarmos o que acharmos necessário e importante para os alunos.
Professora Tatiana Cascaes
Acredito que uma padronização de conteúdos mínimos se faz necessária, mas o aprofundamento desse mínimo deverá ser definido por quem realmente está vivenciando a realidade dos alunos de uma dada escola. Para isso, nada melhor do que deixar a cargo do docente ou dos docentes de uma mesma disciplina, que partindo das diretrizes desse currículo padrão determinariam o quanto seria possível avançar, como, com quais estratégias e recursos. As realidades sociais e culturais são tão diferentes de região para região do país, de cidade para cidade, de escola para escola e até de classe para classe, que é ilusório achar que um currículo engessado seria possível de ser realizado efetivamente.
ResponderExcluirVejo como indispensável um currículo básico na Educação a ser seguido, porém de forma que permita aos educadores iniciativas que complementem e ajudem o aperfeiçoamento, com conteúdos a serem adaptados as diferentes realidades locais, pois sabemos que nossa sociedade está em permanente mudança. Heleno
ResponderExcluirprof. MARCOS DUARTE.
ResponderExcluirMais uma vez, um novo artista, provavelmente um político que se arvora descobrir a roda, a roda já foi inventada, para justificar a falência das políticas públicas para a educação mais uma vez ataca os professores. Se o currículo sempre funcionou antes desses desastrados teóricos e provavelmente péssimos alunos em suas épocas, partem do princípio de que tudo o que foi feito até agora está errado, pois então apresente a sua solução miraculosa e vamos ver se dá certo.
Mas nós já não temos uma currículo definido? Desculpem, mas achei que nos demais Estados já houvesse isso, se não há uma definição do currículo pelo Brasil afora em minha opinião deve haver, alguém tem que avisar ao Sr. Chico Soares que o currículo básico, pelo menos aqui em São Paulo, já é definido até demais com as "maravilhosas" e polemicas "apostilas",opa, quero dizer, Caderno do Aluno. Prof. Arnaldo Santana
ResponderExcluirReduzir a desigualdade na aprendizagem de alunos de escolas de regiões pobres e ricas do Brasil. Esse é o principal objetivo por trás da implantação da unificação do currículo no país, que está sendo discutida entre o Ministério da Educação e os secretários estaduais da área. O texto vai estabelecer, entre outras metas, o que o aluno deve saber ao final da cada uma das séries. Os estados terão autonomia para manter aspectos regionais. A ideia do MEC é que o currículo seja bem mais do que um índice de livro, como é hoje. A unificação também vai facilitar a vida dos alunos que mudarem de estado. Esta é, em essência, a proposta que está sendo discutida pelos condutores da educação básica. Em tese, é uma proposta interessante e oportuna.
ResponderExcluirA implantação do currículo único tem sido adotada por outros países federativos. A Austrália, por exemplo, começou a colocar em prática o currículo único em 2012, depois de mais de três anos de discussões.
Esperamos que o novo currículo seja integralmente elaborado por especialistas em educação básica e que não seja norteado pelas diretrizes ideológicas político-partidárias ou envernizado pelo sectarismo.
James
Acredito que um referencial nacional é indispensável para dirimir as constantes desigualdades que existem em nosso pais, no tocante a educação. Porém, mais uma vez não adianta a criação de um referencial que esteja distante da realidade educacional brasileira. A escuta e participação de docentes é primordial para uma elaboração mínima que atenda basicamente as exigências educacionais. Chamo a atenção que referencia e norteamento não pode ser o engessamento de um currículo, podando a adaptação e criatividade temática que pode ser proposta por cada professor.
ResponderExcluirDa leitura da matéria ora debatida resta claro que seu autor, certamente, não deve ser docente, pois suas opiniões colidem frontalmente com todas as diretrizes básicas da educação, senão vejamos: a exclusão dos professores do debate relativo a elaboração de um novo currículo da educação básica é desarrazoada e despropositada, pois o educador é um dos seus agentes, talvez, o principal e não há qualquer sentido na sugestão do presidente do Inep. Note que a participação do docente e seus representantes é essencial a qualquer debate, pois é este que é o partícipe principal junto com o corpo discente do nosso sistema educacional; não é crível, a defesa de implementação estatal, como sugerido pelo autor. Por fim, qualquer alteração que vise melhorias é sempre salutar, todavia, uma uniformização do currículo da educação básica a nível nacional, estadual e mesmo municipal, obviamente, não atingirá seu propósito, pois devemos se ater a tipicidade de cada localidade, de modo a atender suas necessidades, que é diversa em cada região, não me parecendo possível a uniformização pretendida pelo autor.
ResponderExcluirPriscila Santos
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ResponderExcluirO currículo e a globalização são dois segmentos importantes que contribuem para a formação do indivíduo. Há de se considerar que a desigualdade social ainda predomina entre os Estados do Brasil, pois quando se trata de Educação com qualidade para todos, prescrito em leis federais, de fato, isso não ocorre satisfatoriamente. O novo currículo deve contemplar todas as camadas sociais, inserindo temas variados ligados à globalização sempre com o foco na aprendizagem. Concordo em termos com os argumentos do presidente do Inep, Chico Soares, pois é ilógico o fato de o docente não poder contribuir diretamente com a clareza e definição do novo currículo. Sendo assim, o educador, ao contrário dos demais especialistas de áreas diversas, é quem tem a competência para sanar as defasagens dos alunos, além de conhecer as reais necessidades dos mesmos quanto a sua formação, intelectual, social e cultural. Ou seja: o docente deve sim ter o livre acesso para fazer parte dessa comissão que regulamentará o novo currículo, beneficiando a todos com os seus direitos e deveres, como previsto em leis.
ExcluirO currículo deveria atender a formação Global do Indivíduo, e ser específico para cada Estado, de modo a trabalhar suas diferenças.
ResponderExcluirAcredito que os professores devem participar dessa discussão sim, pois são os principais interessados.
Maria Alcedina
Acredito que o currículo da educação básica deve garantir uma base comum para todos os alunos, assegurando equidade e qualidade na formação. No entanto, também precisa respeitar as peculiaridades locais e a realidade dos estudantes.
ResponderExcluirDocumentos como a Base Nacional Comum Curricular estabelecem direitos de aprendizagem essenciais, mas cabe ao professor contextualizar os conteúdos conforme o contexto da escola.
Portanto, o currículo deve unir uma orientação nacional com flexibilidade pedagógica, promovendo uma formação integral e significativa para o aluno.